sexta-feira, 12 de setembro de 2008

O casamento é uma invenção humana?

Desrespeitam as uniões homoafetivas por a considerarem antinatural mas esquecem que o casamento seja ele, heterossexual ou homossexual, não passa de mais uma invenção humana. Ou será que as crianças ja nascem sabendo que quando crescerem serão praticamente obrigadas a se casarem, e somente com alguém do sexo oposto? Não, como pedagogo especialista que sou sei muito bem que essas coisas são ensinadas, pela mídia, pela família, pela igreja e pela escola. Deste modo, como algo que precisa ser ensinado pra se saber de sua existência pode ser considerado natural?Natural é aquilo que está por si só na natureza, nos instintos e não precisa ser incultido nas criaturas, no caso do humanos via educação.

O senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou-lhe nas narinas um sopro de vida e o homem se tornou um ser vivente [...]. Então o senhor Deus mandou ao homem um profundo sono; e enquanto ele dormia, tomou-lhe uma costela e fechou com carne o seu lugar. E da costela que tinha tomado do homem o senhor Deus fez uma mulher [...]. (GênesIs, cap. 2, v.18-21-22.) Neste artigo, me proponho a fazer uma reflexão sobre a homoparentalidade e sua relação com a sexualidade e a moral que lhe é imposta, bem como analisar os discursos que são proferidos na/pela mídia, visto que a mesma se constitui num mecanismo altamente poderoso de subjetivação e, bem por isso, um mecanismo altamente educativo.[1] Assim, eis que, na epígrafe acima, há a gênese da história de dominação do homem sobre a mulher. A partir desta citação, muitos questionamentos podem ser feitos. Primeiro: a vida estava dentro do corpo, no qual Deus inspirou a vida? Segundo: porque Deus fez a mulher de uma parte de Adão e não a fez a partir do barro, tal como fez com o homem? Terceiro: com que carne ele fechou a parte que retirou de Adão quando ele diz que “tomou-lhe uma costela e fechou com carne o seu lugar”? Além do mais, é interessante analisar que, Deus ao criar o homem, não o criou com o objetivo de que o mesmo procriasse se assim fosse teria criado o casal ao mesmo tempo, tal qual como fez com os outros animais. Sendo assim pode ser perguntar também sobre de que maneira ele fez o homem com seu aparelho reprodutor sendo que não havia pensado nisto antes?De fato isto parece contraditório, muitos/as leitores/as poderão não compreender em face à complexidade deste problema e como a maioria das pessoas não estão acostumadas a pensar, isso se torna um agravante para a compreensão desta problemática levantada por mim. Não estou com isso, querendo advogar a não existência de deus, mas sim colocar em questionamento o machismo existente na bíblia cristã e seu fundamentalismo heterossexual. Esta narrativa mais parece uma expressão da dominação que viviam as mulheres durante a época em que a Bíblia fora criada. Ela também pode representar a construção de uma ordem sexual, estabelecendo a heterossexualidade (ou uma forma de sexo apenas voltado para a procriação) como sexualidade hegemônica e “normal”. Uma narrativa fundada em conceitos éticos naturalistas, tidos como verdade. De acordo com Costa (2002), a ética naturalista é aquela que se fundamenta nos preceitos da biologia estática, ou seja, que acredita na existência de uma biologia imutável, “[...] resultante da adequação das regras éticas às leis naturais. O imoral ou amoral é o antinatural.” (p. 59). De acordo com a própria bíblia, anteriormente ao casal Adão e Eva comerem do suposto fruto proibido, o mesmos não tinham vergonha de estarem nus. Se formos levar em consideração esta premissa, a vergonha deveria ser algo natural, mas, no entanto na realidade não é isto que acontece se observarmos que as crianças quando pequeninas, não sentem vergonha de estarem nus, logo chegamos a conclusão que a vergonha é fruto de um processo de ensino e aprendizagem, no qual é ensinado as crianças que andar nu é algo feio